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RELIC - AQUELE ASPECTO"SURRADO" !

Vamos falar sobre O famoso visual VINTAGE ! veja só :
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Créditos do artigo ao parceiro Aurélio Ramalho
 

 

 

 

A palavra "relic", relíquia em português, se diz de objetos antigos que sobreviveram à passagem do tempo, especialmente objetos que despertem certo interesse histórico e/ou de caráter emocional. "Relic" em inglês, também pode ter o significado de restos mortais.

 

"Relic finishing" é outra coisa, nada a ver com "relic". É uma expressão utilizada pra definir uma técnica de acabamento aplicada em instrumentos musicais. Se esse tipo de acabamento é bom ou não depende do gosto do freguês. Essa técnica foi desenvolvida pra dar uma tocabilidade similar a instrumentos, realmente, envelhecidos e surrados. Não é simplesmente pegar um baixo e sair chutando pelo chão.

 

Engana-se aquele que acha que é apenas aplicar um certo desgaste na pintura. Um real "relic finishing" é tratado como algo bem mais sério. Custa mais caro porque dá mais trabalho pra fazer e leva mais tempo. Instrumentos gastos pelo tempo, tem características únicas de tocabilidade e estética. O braço deliza mais, a borda da escala é arredondada, o local de colocar o ante-braço é bastante confortável e além disso, não há preocupação com o instrumento sofrer um arranhão ou outro.

A estética, apenas "lembra" instrumentos antigos e surrados, e isso tem um certo apelo pra algumas pessoas. Porém, a pegada precisa acompanhar esse relic. Algumas pessoas não sentem diferença na pegada e não gostam do visual relic, pra essas pessoas existem centenas de baixos novos, cheirando a bebê no mercado. Outras músicos, realmente, sentem uma certa diferença no jeito que um baixo relic se comporta e gostam dessa diferença, além, é claro, de curtirem o visual. Pra essas pessoas existem alguns modelos relic interessantes. Intransigência, é pensar "eu acho feio então não presta" ou "eu não sinto diferença, então não importa".

 

Ao longo dos anos, músicos e fabricantes de instrumentos se perguntavam porque alguns instrumentistas famosos e, quase sempre, ricos, apareciam com suas guitarras e baixos surrados. Por que será que Sting pediu a um assistente, pra sair nas ruas de NY procurando o baixo mais velho e surrado que ele pudesse encontrar, e ainda nem existia a moda relic? Por que Marcus Miller insistia em tocar com seu Fender 77 (cheio de dead notes, como ele mesmo diz) sendo que ele tem um monte de Foderas, Sadowskys e outros Fenders em casa? Por que o Wooten, até hoje, usa o primeiro Fodera, todo acabado, sendo que ele tem vários?

 

A Fender e outras empresas começaram a perguntar a seus endorsees e amigos, o que os levava a preferir instrumentos mais velhos e surrados. A maioria deles não sabia responder ou simplesmente dizia é o "Mojo". Um termo (slang word), que poderia ser traduzido como um charme, um pó de pirlimpimpim, chorume, etc. Luthiers experientes passaram a tentar decifrar o que os músicos chamavam de "Mojo", e se deram conta que era a combinação de vários fatores, desde o peso total até pequenas imperfeições que alguns desses instrumentos tem. Dessa forma, algumas lutherias custom oferecem a opção "distressed", que tem os arredondamentos do relic e algum trabalho no acabamento do braço, mas sem aparência de velho.

 

O baixo do Geddy Lee é fora de padrão, veio com defeito na época. O Geddy Lee usou Steinberger, Wal e terminou voltando pro seu Fender 1972. Quem sabe não foi o braço mais fino que o fez se apaixonar por esse instrumento? E ainda tem o fator psicológico. Quando você sabe que o instrumento já está todo desgastado, você acaba manuseando ele de qualquer jeito e pode se concentrar mais na música.

NOS (New Old Stock), que é um termo utilizado para designar algo original que ficou guardado por muito tempo. No caso dos instrumentos, feito nas especificações de época mas como novo, e os relic, feitos na especificação de época com desgastes como teriam se fossem originais e estivessem em uso constante. NOS vira relic em algumas horas. Relic nunca vai ser NOS.

Os Fender mexicanos "Classic Series" e os Road Worn surrados, são um exemplo de que a Fender capturou bem isso nesses baixos, são bastante leves, e o slap é ótimo, mas não é "anos 70 ótimo", é "anos 60 ótimo". O controle de qualidade é altíssimo, e isso resulta em instrumentos excelentes. Nos Road Worn, o acabamento é do tipo desgastado. Feito apenas, em instrumentos pintados com nitrocelulose, que favorece o aparecimento do desgaste. Nitro é um acabamento mais fosco, mais fino, a madeira ressona mais. É menos durável, descasca com maior facilidade e fica com cara de usado mais rapido. A pegada Worn tem aquele jeitão que só baixo velho tem, o feeling do braço, a escala já tem as extremidades meio arredondadas de tão gasta, o encaixe no corpo, etc.

 

Agora, quem quiser tentar um relic finishing caseiro, aqui vão as receitas.

Uma delas, certamente, é infalível :D

 

Receita 1:

- Desmonte o baixo completamente;
- Coloque corpo e braço em um forno quente, durante uns 10 minutos, em seguida transfira para uma geladeira ou freezer. Repita se a pintura/verniz ainda não tiver rachado;
- Coloque toda as ferragens num saco com pregos, parafusos e sacuda bastante;
- Coloque toda as ferragens num recipiente com ácido muriático enquanto trabalha na madeira;
- Lixe, aleatoriamente e levemente, todo o corpo e braço pra tirar o brilho de instrumento novo;
- Lixe mais as áreas de maior desgaste, mas sem excesso;
- Com um estilete ou faca, faça marcas aleatórias pelo corpo, braço e mão. Querendo, use um cigarro aceso em algumas partes;
- Imite as marcas de cinto no fundo do corpo;
- Tire as ferragens do ácido e lave com bastante água, deixe secar naturalmente por um dia;
- Pinte os pólos dos captadores com hidrocor definitivo marrom, de maneira não uniforme;
- Lixe e machuque os covers dos captadores com uma caneta;
- Monte o baixo.

Receita 2:

- Toque com o mesmo baixo durante 30 anos.

Lembrando que, quanto mais exagerar num relic, mais vai parecer artificial ...

 

As fotos são de um trabalho de relic finishing dos profissionais da Fender Custom Shop, tentando simular o distressed Jazz Bass do Pastorius.

 

 

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